Pão Novo

"Era um fim de tarde de sábado. Eu estava molhando o jardim da minha casa, quando vi um menino parado junto ao portão. Olhando, me perguntou:
-Dona, tem pão velho?
Essa coisa de pedir pão velho sempre me incomodou...Olhei para aquele menino tão triste e perguntei:
-Onde você mora?
Ele logo me respondeu:
-Depois do zoológico.
Então comentei: -Bem longe, hein?
Com a voz triste, disse-me: -É...mas eu tenho que pedir as coisas para comer. Fiquei interessada pela vida do menino e perguntei-lhe: Você está na escola?
-Não. Minha mãe não pode comprar material- ele respondeu, esperando continuar com o diálogo.
-Seu pai mora com vocês?
-Não, ele sumiu.
E o papo prosseguiu, até que eu disse:
-Vou buscar o pão. Serve pão novo?
-Não precisa, não. A senhora já conversou comigo, isso é suficiente.

Essa resposta caiu em mim como um raio. Tive a sensação de ter absorvido toda a solidão e a falta de amor daquela criança. Tão nova e já sem sonhos, sem brinquedos, sem comida, sem escola e tão necessitada de um papo, de uma conversa amiga.
Quantas lições podemos tirar desta resposta: "Não precisa, não. A senhora já conversou comigo, isso é suficiente!"
Que poder mágico tem o gesto de falar e ouvir com amor! Os anos se passaram e continuam pedindo 'pão velho' na minha casa... e eu dando 'pão novo', mas procurando antes compartilhar o pão das pequenas conversas, o pão dos gestos que acolhem e promovem.
Este pão de amor não fica velho, porque é fabricado no coração de quem acredita naquele que disse: 'Eu sou o pão da vida!"

(Autor desconhecido)

Fonte: Revista Ecoando. Ano IX. Nº 33

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