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19 junho, 2016

Dos fracassos de uma catequista- As histórias que não contamos




Dos fracassos, perdas e ganhos  de uma catequista 
Por Cris Menezes

Para Rosário (em memória)

Toda história de sucesso tem seus fracassos, os passos errados, os passos em falso que damos, as pedras no caminho e os espinhos. Por trás de uma grande história há muitas pessoas trabalhando nos bastidores. Pense num filme, na construção de um grande edifício, num evento, pense num restaurante, tanta gente trabalha para que aquele prato chegue quentinho na sua mesa.

Assim somos nós. Por trás de quem somos, da nossa história, há os bastidores. Quando eu me vejo falando de amor, da vida e de Deus, bonita e sorridente,  penso  nos meus bastidores. Para eu ser a mulher que sou hoje, algumas pessoas contribuíram com uma boa dose de amor, respeito e paciência. Eu sou o resultado dos encontros que tive na vida, sou resultado dos livros que li e das músicas que ouvi, sou resultado da insistência do amor de Deus por mim, do cuidado dos meus pais e da amizade dos meus amigos. Tenho amigos que nem sabem o quanto me ensinaram a ser gente, gente que me levou a Deus,  gente que foi parte da minha missão e do meu ministério de catequista.

Mas até aqui falei mais dos sucessos. Viu como é fácil contarmos nossa história pelos ganhos?! Sim esses são meus ganhos. Mas vamos falar dos fracassos e das perdas?

❤❤❤

Meu maior desafio e meu maior fracasso foi com a inclusão na catequese. Sei que quando a catequese fracassa, todos fracassam juntos: o padre, os catequistas, a coordenação. Percebi o quanto estamos despreparados para a catequese de pessoas com deficiência: faltam catequistas e formações específicas.  Precisamos chamar as crianças especiais para participarem da catequese, mas também precisamos capacitar os catequistas.

Outra tristeza são os catequizandos que vão ficando pelo caminho, os desistentes. Começamos a catequese com uma quantidade de catequizandos e terminamos com um número menor. O ideal é que ninguém desistisse. Há também os que mudam de religião depois da Primeira Eucaristia ou da Crisma e renegam a fé. Não é proibido mudar de religião. Claro que estamos livres para escolher sempre, mas não precisa desconsiderar o passado como se tudo o que se viveu na fé católica fosse um erro. Como catequista, entregamos para a igreja cristãos católicos e queremos que eles se engajem na igreja e não que mudem de religião depois de receberem os sacramentos. Mas penso que estão no caminho de Deus, isso é  o que mais importa.

 Tivemos ainda uma grande perda na catequese.  Faz algum tempo que perdemos nossa coordenadora, vítima de complicações de uma cirurgia. A Rosário foi um exemplo de catequista dedicada, uma mulher de fé.  Lembro que ela sempre chegava com um livro novo sobre catequese. Foi com ela que aprendi a correr para a livraria e voltar com livros para ajudar nos encontros de catequese. Ela tinha sede de aprender.  Ela era minha amiga e acreditava em mim. E isso é tão raro: em qualquer área da vida, encontrar pessoas que acreditam na nossa capacidade. Minha amiga acreditava que eu podia ser coordenadora. Imagina! 

Quero falar um pouco dos nossos "fracassos" na vida pessoal e profissional. Nem sempre nossa vida está repleta de graças para testemunhar. Muitas vezes estamos na Igreja servindo a Deus e sofrendo em casa com algum problema. E como é difícil manter nosso testemunho de fé diante da dor e das incompreensões. E este é o desafio do cristão: continuar caminhando com fé mesmo nas negativas da vida, mesmo na demora das graças que esperamos. É só lembrar que não termina na morte. Para um cristão, há a ressurreição. A cruz não é o fim. Diante dos nossos aparentes fracassos, devemos manter os olhos fixos em Jesus e prosseguir glorificando nosso Senhor.  Podemos testemunhar as pequenas graças e os pequenos cuidados de Deus por nós. É preciso treinar o olhar para encontrar a misericórdia de Deus no nosso dia-a-dia.

Veja bem: um(a) catequista é feito(a) de alegria, de fé e perseverança, mas também é feito(a) de perdas, dos ficam pelo caminho, dos que desistem- e como nós sentimos responsáveis por esses também- e daqueles que cumprem sua missão de evangelizar na terra e vão se encontrar com Jesus no céu. Todos esses que perdemos, de uma forma ou de outra, fazem parte da nossa caminhada e do nosso crescimento.

Vamos em frente.
Deus ama você.




*Fotografia e texto: Cris Menezes

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