Missão do Jovem Crismado



Um texto ótimo para nossos crismandos. Retirei do site "Catequisar".




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Olhando a vida de Jesus, vemos que ele foi sempre um jovem: dinâmico, sensível às alegrias e tristezas do seu povo, possuidor de senso crítico muito aguçado, conhecedor da realidade que o cercava. Sempre questionando, apontando onde o Projeto do Pai era desrespeitado, animando multidões que o seguiam com a Boa Nova do Reino, com a prática da justiça, do amor, do perdão e da misericórdia. Nessa juventude de Jesus descobrimos qual é a missão do jovem crismado.

A passagem de Lucas 4,16-21 nos mostra o próprio Jesus revelando essa missão.

Ele foi a Nazaré, onde fora criado e, segundo seu costume, entrou em dia de sábado na Sinagoga e levantou-se para fazer a leitura. Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías. Abrindo-o, encontrou o lugar onde está escrito: "o Espírito do Senhor está sobre mini, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor". Enrolou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Todos, na sinagoga, olhavam-no atentos. Então começou a dizer-lhes: "Hoje se cumpriu aos vossos ouvidos essa passagem da Escritura".

Aqui está o centro da missão do crismado e de todo cristão, porque aqui Jesus revela sua própria missão.

Em primeiro lugar, ele afirma que essa missão é dom do Espírito Santo. Ele não age em nome próprio, mas em nome do Pai e de seu Projeto, que é vida para todos (João 10,10; Mateus 5,17). Por isso é ungido: recebe a força do Espírito e é por ele enviado. Também nós, cristãos, temos de assumir como proposta de palavra e ação a dinâmica de Páscoa de Jesus, levando a humanidade a um processo de libertação, de passagem da morte para a vida. Essa Páscoa realizada e plena é o Reino que o Pai nos promete e que Jesus Cristo realiza (Apocalipse 21,3-4).

Essa é a Boa Nova (= Evangelho) da qual devemos ser portadores. E esta não é uma promessa somente para o futuro. O Reino de Deus já está no meio de nós (Lucas 17,21). Todas as vezes que produzimos vida em nosso meio, os sinais do Reino se fazem visíveis. É porque seguimos as pegadas de Jesus, pois Ele é o Reino. Nele a vontade do Pai se realiza completa-mente (Mateus 11,2-6).

Ser crismado é buscar um mundo sem injustiça

A mensagem de Jesus tem destinatários bem definidos: os pobres, os presos, os cegos, os oprimidos... O Reino de Deus é um Reino de justiça, de igualdade, amor e paz. Não há lugar para a exploração de uns poucos sobre muitos.

Assim Jesus assume preferencialmente a causa dos empobrecidos e se torna seu defensor. É preciso acabar com a fome, a opressão e a desigualdade, pois a Lei da Nova Aliança nos convoca a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (Mateus 22,37-39).

Anunciar, pois, uma Boa Nova aos pobres é construir com eles uma sociedade igualitária, justa e fraterna. Falar do Reino sem essa opção concreta é deixar as coisas do jeito que estão, onde a vida não brota, a opressão continua e as pessoas ficam sem esperança.

Também não podemos nos iludir: esse não é um caminho fácil. A cruz de lesus nos lembra sempre a perseguição que um justo sofre por causa da verdade (João 12,23-24; 15,13). Mas a luta não termina na morte e no sofrimento. A vida sempre vence. Todo sacrifício não é em vão (Filipenses 2,6-11; l Coríntios 19,54; 15,22-23). É preciso ter a coragem de ser profeta hoje!

Jesus nos ensina como realizar essa missão

Jesus nos deixa a sua missão e também a maneira de realizá-la. Lendo Lucas 24,13-35 (os discípulos a caminho de Emaús), percebemos como ele ensina aos jovens de hoje a levar e viver a Boa Nova do Reino.

Primeiro, é preciso estar a caminho com as pessoas, experimentando com elas seus risos e suas angústias. Só conhecendo a realidade dos que participam conosco na família, na comunidade, na escola, no trabalho conseguiremos ser sal e luz no mundo (Mateus 5,13-16). É necessário saber ouvir, saber falar. Assim, em Lucas 24,13-24, Jesus caminha com os dois discípulos e descobre que eles estão fugindo de Jerusalém para Emaús.

Outro passo é olhar a realidade que nos cerca através da Palavra de Deus.

Essa realidade está de acordo com o Projeto do Pai? Na mesma passagem de Emaús (Lucas 24,25-27), Jesus ilumina a situação com a Sagrada Escritura. Junto com os dois discípulos vai revelando e explicando os acontecimentos que estão vivenciando.

Então, depois de analisar se essa realidade constrói ou não o Reino, é preciso agir, transformar, mudar o que não está bom. E Jesus demonstra que nesse momento não estamos sozinhos. Ele está presente como Ressuscitado. E é no meio da comunidade que ele é reconhecido (Lucas 24,28-35). É na prática da partilha que transformamos nossa realidade.

Depois desse processo de evangelização (= anúncio da Boa Nova), os discípulos têm coragem de assumir a missão de cristãos, voltando para Jerusalém e enfrentando os projetos de morte.

Vocação do jovem crismado

Vemos que há muito que fazer. Os crismados são enviados a assumir compromissos na própria comunidade eclesial e em outros níveis de Igreja: liturgia, catequese, CEBs, pastoral da juventude. Ao mesmo tempo, são chamados a testemunhar o Evangelho de Cristo através de serviços em vista da transformação do mundo: nas escolas e universidades, no meio rural, no trabalho, na política, nos partidos, sindicatos, nas comissões de justiça e paz, nos movimentos ecológicos, nas associações de bairro, no lazer, nos meios de comunicação e nos mais diversos ambientes onde o cristão atua (Estudos da CNBB, n. 61). A vocação do jovem crismado abarca os diversos campos onde o leigo atua (Evangelii Nuntiandi, n. 70). Sua função social é extremamente importante. 

A Doutrina Social da Igreja, em suas diversas encíclicas, nos ajuda a descobrir o direito e o dever da Igreja de pronunciar-se sobre os problemas criados pela realidade social e pelas mudanças que nela ocorrem. Somos co-responsáveis diante do mundo em que vivemos. A Igreja, assim, caminha junto com o povo, buscando ajudá-lo a resolver seus problemas.

A Doutrina Social da Igreja é fruto da fidelidade da Igreja à sua tradição e à sua doutrina, bem como é fruto da necessidade de estar sempre ligada aos sinais dos tempos. Sua história se inicia, oficialmente, com a Encíclica Rerum Nouarum de Leão XIII (1891). Nesses mais de cem anos, muitas outras encíclicas surgiram, sempre procurando atender às exigências da justiça, através do uso responsável da liberdade, atendendo aos direitos da liberdade sob as bases da justiça.

O fim último da política e da economia deve ser o ser humano. Este, portanto, deve ter acesso ao trabalho, à gerência do mesmo e à distribuição dos bens conseguidos. A Doutrina Social da Igreja postula a promoção do bem comum: tudo para todos. Mediante essa sua ação, a Igreja busca fazer caminhar juntos o anúncio e o testemunho.

Preparação para a crisma: fim de um ciclo, começo de outro

Esta preparação quer ser uma ferramenta de trabalho com os jovens. Ao utilizá-la, tenham consciência de que ela é apenas instrumento, mediação. O sujeito dessa catequese é o próprio jovem.

Assim, a missão do crismado que anuncia a Boa Nova é ser mediação também. É provocar a transformação de uma realidade sem Deus na manifestação do Deus da Vida. Por isso, o jovem é sacramento da esperança. É instrumento de conversão, certeza de caminhada, semeador e semente.

A comunidade deve proporcionar, dentro e fora dela, espaços de participação efetiva. A relação de convivência deve ser de troca de anseios e experiências. Necessária se faz a renovação que nasce dessa juventude maravilhosa. Como segurar um vento que sopra onde quer?


Fonte: http://catequisar.com.br/texto/livro/cjcc/27.htm

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