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15 julho, 2016

Planejamento na catequese: por onde começar


"Planejar é construir a realidade desejada." (Gandin)



Foto: Paraty RJ

Eliane Godoy, em seu livro Planejamento na Catequese (2014), afirma que para planejar a catequese, o catequista precisa antes de formação.  Quero, com este post, ajudar você, catequista, a compreender melhor o processo de planejamento na catequese, contribuindo também para sua formação contínua. Então, usarei como base o livro citado acima da Eliane Godoy para nos aprofundarmos mais em planejamento na catequese. O livro é muito técnico, mas é excelente.
Vamos lá?

Por onde podemos começar o planejamento? 

(Eliane Godoy  nos orienta no planejamento utilizando os trabalhos do autor  Danilo Gandin e se inspira nos sete passos metodológicos para  planejamento pastoral. Godoy propõe, neste processo,  que o planejamento seja participativo e envolva a todos.)

Os primeiros passos para fazer um planejamento é o marco referencial -Situação inicial: (marco situacional, doutrinal e operacional) seguido do diagnóstico (Gandin). 

Importante: Para planejar, é necessário conhecer os ensinamentos doutrinários, os ensinamentos de cristo,  os documentos da Igreja e os princípios básicos da catequese. Vamos ainda definir onde a catequese quer ir, escolher uma linha de ação e como vamos nos organizar.


O que é o diagnóstico? O Diagnóstico não é só uma descrição da realidade, mas também o julgamento desta realidade "na comparação com aquilo que queríamos que fosse." 

"O Diagnóstico compara aquilo que se pensa e se quer com aquilo que se faz na prática. A intermediação entre o pensar e o agir é feita no diagnóstico." (Gandin e Cruz)

Como podemos fazer o diagnóstico da realidade? 


Vamos começar então olhando para a realidade*, para o que nós temos agora, o que estamos fazendo. *Não desconsiderar os aspectos políticos, sociais, econômicos, culturais, religiosos, as pastorais locais e sua organização.
Pense: Como está a catequese hoje? 

Agora, iremos confrontar a realidade com o ideal de catequese que queremos. 

Reflita:  "Qual a distância entre a realidade em que se atua e a que se deseja?"

Eliane Godoy (pag. 24)  alerta para a necessidade de se fazer este diagnóstico "para se ter clara a dimensão da realidade em que se quer investir e qual o caminho que se deve percorrer nessa realidade para poder transformá-la." 

Durante o diagnóstico, Eliane Godoy sugere que procuremos identificar os "sintomas positivos" da realidade em que atuamos (prática), que nos aproximam da realidade desejada, e os sintomas negativos (nós críticos) que nos distanciam da realidade desejada". O grupo de catequistas pode listar as ideias e os projetos que frutificaram e os que não produziram bons resultados. 

Um diagnóstico faz com que identificamos as necessidades para podermos agir. Por exemplo, pensando aqui sobre a realidade da minha comunidade, posso falar que a maioria dos catequizandos não frequenta a missa. Mas descobrimos que  muitos  pais  são distantes da Igreja e não frequentam a missa também. O que desejamos? Que os pais e os catequizandos vão juntos a missa. Pois bem, temos a leitura da realidade (resultado do exame): Os pais não frequentam a missa; sintomas (problemas): Os catequizandos não vão a missa porque os pais não vão; falta de vida em comunidade; falta de vivência dos sacramentos.

Já temos um diagnóstico: uma indiferença religiosa (concorda?).  Queremos que os catequizandos frequentem a missa para ouvir a palavra de Deus, participar  da comunidade e aos poucos ser introduzidos nos mistérios de Deus.  Para que isso aconteça com mais eficiência, muitas vezes precisamos trazer os pais para a Igreja também. Os pais devem ser os primeiros catequistas de seus filhos. Isso é o ideal, ok? (Exceções: temos exemplos de catequizandos que escolheram ir para a catequese mesmo com pais evangélicos ou indiferentes. Mas neste contexto, estou me referindo aos pais católicos não praticantes.)

A partir do diagnóstico, precisamos agir, caso contrário, nós seremos indiferentes à nossa realidade e nossos problemas. Aí é que iremos traçar ações para que o Evangelho também chegue até os pais: Trabalhar conjuntamente com a pastoral familiar para resgatar esses pais, promover encontros (e não somente reuniões informativas) com eles e etc.

Esses são os passos iniciais do planejamento. Como no método ver-julgar-agir, partimos da realidade, de onde estamos agora, para depois julgarmos e iluminarmos esta realidade à luz do Evangelho, identificar as falhas, os tropeços e os acertos e traçar um diagnóstico. Só a partir do diagnóstico, é que temos condições de avançar nas etapas do planejamento: criar estratégicas, ações catequéticas, definir objetivos, programar os temas para cada etapa e, por fim, avaliar todo o processo.

Geralmente, fazemos os planejamento de temas sem este cuidado e olhar atento para a realidade e para as necessidades da nossa comunidade. Precisamos aprender a fazer, e para isso, não basta ter boa vontade, é preciso ter conhecimento, formações e segurança na metodologia a ser aplicada.

O próximo passo é planejar o encontro catequético. Siga o blog no Facebook e no blogspot  para acompanhar os próximos posts sobre planejamento na catequese.

Obrigada. Deus ama você.
Cris Menezes
Catequizando Feliz Blog

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