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29 dezembro, 2016

Catequista tem perfil? Um anti-manual para escolher catequista





Sempre achei que ser catequista era um dom. E acreditei muito que havia pessoas com perfil para ser catequista e havia pessoas sem o menor perfil. Já vi textos ditando o perfil do catequista, como essa pessoa deve ser, qual comportamento deve ter. Confesso que,  algumas dessas características, eu não tenho. Vim repensar sobre isso quando o padre da minha paróquia disse que catequese é serviço. E questionou qual era o perfil deste "educador da fé". Vamos lá refletir um pouco mais:  Quem decide quais características o catequista deve ter? E quem decide que alguém tem ou não perfil para ser catequista? 

Sei que na nossa vida profissional, acontece muito disso. Chefes e gestores querem opinar se temos perfil ou não para exercer algum trabalho.  E muitas vezes nos descartam ou nos subestimam baseados num pré-julgamento deste tal de perfil- um julgamento raso baseado numa lista que foi tirada no sei da onde. E assim acontece na Igreja. Ás vezes, catequistas antigos ou coordenadores querem decidir se uma pessoa tem ou não perfil para ser catequista. O que precisamos saber mesmo é se este aspirante quer comprometer-se com esse serviço, se tem tempo disponível, se quer caminhar com uma comunidade, se está disposto a realizar as formações catequéticas, se tem vida sacramental, se realmente deseja amar como Jesus amou. Todas as respostas são sim? Ah, então essa pessoa tem perfil. E sabe de uma coisa? O mais importante mesmo é que aprendemos a ser catequista. Vamos ficando melhores com o tempo, mais sábios, com mais segurança para falar da doutrina, da Igreja e do próprio Jesus. Vamos parar de selecionar catequistas baseados num perfil ideal. Vamos acolher quem quer ser e formá-los para este serviço tão especial. Vamos acreditar mais nas pessoas. Vamos ajudá-las a crescer.

 Há características desejáveis para um bom catequista? Sim, mas podemos desenvolvê-las com o tempo. Afinal, o encontro com Jesus vai nos mudando e moldando. Sabemos que algumas pessoas têm  mais facilidade para falar, outras são mais tímidas, umas são mais acolhedoras, outras mais reservadas, umas não tem vergonha de  rezar em comunidade, outras gostam de rezar em silêncio. Somos uma igreja plural: cada um com seu jeito de ser. E cada um, com seu jeito único,  pode ser um catequista.   E no final das contas, não cabe a nós decidir quem tem perfil ou não. Cada um vai percebendo se é na catequese que quer se dedicar à Igreja. Muitos descobrem depois que possuem mais afinidade com outra pastoral. E alguns não querem sair mais, como eu! São cristãos que encontram na catequese uma forma linda de se colocarem a serviço do Reino de Deus.

Na escolha dos apóstolos,  eu vejo muito mais que 12 homens: vejo os vicentinos, os agentes de pastoral, os leigos, os ministros, os dizimistas, os catequistas... E qual será que foi o critério de Jesus na escolha dos 12? 

Por Cris Menezes
Catequista
Brasília-DF


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